Investimentos Financeiros e Seus Riscos

Não existe investimento sem risco

Guardando dinheiro em casa, você corre um risco óbvio e que não deve ser ignorado: o risco físico. Roubo, perda, danificação das notas, acidentes e até o risco de as cédulas perderem valor diante, por exemplo, de uma mudança de moeda.

Em ambas as situações, suas reservas podem também perder poder de compra. A rentabilidade da poupança tem tido dificuldade de vencer as altas taxas de inflação no Brasil, e o dinheiro vivo não conta sequer com um rendimento modesto para tentar repor ao menos parte da alta de preços.

Ou seja, se você consegue poupar dinheiro, a melhor alternativa é se informar para fazer a melhor escolha. O consultor financeiro Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro, compara o risco de investir ao risco de atravessar a rua.

“Atravessar a rua sempre tem risco. Mas para uma criança de três anos, que não sabe como bem atravessar, o risco é maior do que para um adulto. Se a criança estiver com pressa e desatenta correndo atrás de uma bola, o risco aumenta”, diz.

Ele acrescenta ainda que para não correr o risco de ser atropelado, não basta simplesmente não atravessar a rua. “Até na calçada você pode acabar sendo atingido por um maluco”, diz Calil, que defende que a informação é uma arma poderosa para o investidor reduzir seus riscos.

Conheça, então, os principais tipos de risco a que os investimentos estão sujeitos, e atente para eles na hora de escolher um produto financeiro. Lembre-se que uma mesma aplicação financeira pode estar sujeita a mais de um tipo de risco.

Em resumo, não existe aplicação sem riscos, mas existe aplicação errada. É importante não só entender os riscos a que você está exposto em cada investimento como também se esses riscos são adequados aos seus objetivos.

Um exemplo: ao comprar um título público com rentabilidade atrelada à inflação, você terá a garantia de ganhar uma rentabilidade já conhecida acima do índice de preços definido, em geral, o IPCA. O risco de tomar um calote é mínimo, pois se trata de um título com garantia do governo.

Entretanto, se você o vender antes do vencimento – e você pode fazê-lo quando quiser – o risco de perder dinheiro é bem real, por causa das características desse título. E aí? É baixo risco ou alto risco? Depende do objetivo. Se sua intenção é ficar com o papel até o vencimento, é baixo risco. Se não, é alto.

Outro bom exemplo é o investimento em aplicações com baixo risco de perdas e baixa liquidez. Você provavelmente não vai perder dinheiro, mas também não poderá resgatá-lo quando quiser. E dependendo do seu objetivo, isso pode ser um grande problema.

Você pode estar pensando “nossa, não quero correr risco de jeito nenhum. Se é assim, vou ficar na poupança mesmo ou guardar o dinheiro embaixo do colchão”.

Se isso passou pela sua cabeça, lamento informar, mas essas opções também têm risco. Na poupança, você corre o risco de o banco quebrar, e só tem seu dinheiro garantido até um limite de 250 mil reais, que é a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

 

Risco de mercado

É o risco de oscilação (volatilidade) de preços e taxas, como a variação dos preços das ações e dos títulos públicos, o sobe e desce do câmbio e das taxas de juros.

É bastante claro para a maioria dos investidores, mesmo iniciantes, que os preços das ações das empresas e do dólar oscilam bastante.

Mas não é tão óbvio, por exemplo, que os preços dos títulos públicos também oscilam, e que isso pode ter grande impacto no resultado final do investidor.

Principalmente no caso dos títulos prefixados e daqueles que têm remuneração atrelada à inflação, a variação dos preços pode ser intensa, e se dá em função da variação da taxa básica de juros.

Como a venda dos títulos públicos é sempre feita a preço de mercado, se o preço do título na hora da venda estiver menor do que o preço pelo qual você comprou o papel, você terá perdas no seu investimento.

Já se você ficar com o título até o vencimento, você vai ganhar exatamente a rentabilidade acordada na hora da compra. Portanto, atenção ao investir no Tesouro Direto.

Risco de liquidez

Liquidez é a facilidade de resgatar uma aplicação financeira. Investimentos com liquidez imediata são aqueles em que você consegue ter acesso ao dinheiro no mesmo dia em que pede o resgate, como ocorre na caderneta de poupança e em fundos de investimento conservadores.

Alguns investimentos, no entanto, têm baixa liquidez. Em alguns deles, como certos tipos de fundos, pode levar dias ou até meses entre a data do seu pedido de resgate e a data do depósito do dinheiro na sua conta.

Há títulos de renda fixa que não permitem resgate antecipado, devendo ser levados até o vencimento. Existem também títulos e fundos com carência, isto é, que só permitem o resgate depois de determinado prazo.

Mesmo quando o ativo precisa ser vendido para outro investidor pode haver baixa liquidez. É o que ocorre com ações, cotas de fundos imobiliários e debêntures pouco negociadas.

Simplesmente pode levar dias até o investidor encontrar um comprador interessado. E até lá, o investimento pode se desvalorizar.

Sobre os fundos de investimento

Se você investe por meio de fundos de investimento, você estará exposto ao risco das aplicações financeiras que compuserem a carteira de investimentos do fundo. Assim, se o fundo investir em ações, haverá risco de mercado, e se investir em títulos públicos, haverá risco de mercado e risco de calote.

Além disso, certos fundos podem ter um risco de liquidez considerável, não permitindo aos cotistas o resgate imediato dos recursos. É bom sempre se informar sobre isso antes de investir, para evitar surpresas desagradáveis.

Todos os tipos de risco a que os fundos estão expostos estão esmiuçados no prospecto, numa seção voltada especificamente para isso.

Lembrando que fundos têm CNPJ próprio, não estando expostos ao risco das instituições financeiras que os gerem ou administram. Em caso de quebra de uma delas, basta escolher outra instituição para desempenhar aquele papel.

 

 

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